O melancólico sonho e a alegre morte

19 11 2007

Sandman e morte

Na década de 30 foi criado o personagem Sandman. Este era Wesley Dodds, um detetive que havia sonhado com um estranho ser, que lhe teria convencido a combater o crime. Ele o fazia usando uma máscara de gás e pistolas com soníferos, usando o nome de um personagem infantil, aqui no Brasil conhecido como João Pestana, ou João do saco, que faria as crianças dormirem com areia (daí seu nome original, o “homem da areia”). Wesley, que chegou a fazer parte da Sociedade da Justiça ao lado do Lanterna Verde e do primeiro Flash, acreditava ter feito contado com este mítico ser.

Veio então a década de oitenta, quando houve o que muitos chamam de “Invasão Britânica” na DC comics. Na trilha do sucesso de Alan Moore, muitos de seus compatriotas, escritores cults como ele, foram convidados pela editora. Nomes hoje famosos como Grant Morrison e Neil Gaiman eram esses jovens, desconhecidos e promissores escritores. Após escrever uma mini-série para uma personagem igualmente desconhecida, a Orquídea Negra, e fazer enorme sucesso de crítica e público, Gaiman recebeu a incumbência de revitalizar este antigo personagem da Era de Ouro para a Vertigo, o selo adulto da DC comics. Porém, ele lembrou de seu sangue bretão e fez as coisas um pouco além do que se esperava. Ainda bem.

Publicadas de 1988 a 1996, as 75 edições da serie regular (mais as mini-séries) exploraram não Wesley Dodds, mas o homem de sua visão, Sandman, também conhecido como Morpheus. Ele é um dos Perpétuos, seres místicos mais velhos que a própria humanidade, guardiões de aspectos importantes do universo. Desta forma, Sandman é o mestre do Sonhar, a terra dos sonhos, e vela pelo sono dos homens. Seu irmão mais velho é o Destino, justamente o primeiro dos Perpétuos a alcançar o homem, por lhe guia os passos. Há ainda Desejo, Destruição, Delírio, Desespero e Morte, a mais carismática deles, freqüentadora assídua das histórias de seu irmão.

A Morte de Gaiman, aliás, é uma personagem incrível. Vestida como as garotas góticas do fim dos anos oitenta, ela é completamente bem humorada, amorosa e carismática. Ao contrário da maioria dos artistas e filósofos, Gaiman não tem medo da morte, e nos faz perde-lo também. Já que a morte é inevitável, por que encará-la de forma melancólica? O segredo é aproveitar bem os anos antes que ela aconteça, ele diz.

No Brasil, Sandman já foi publicado por várias editoras. A pouco tempo, estava nas mãos da Editora Devir, que, apesar do ótimo trabalho gráfico, praticava preços bem abusivos. Recentemente, porém, a Editora Pixel assumiu os direitos de publicar todo o conteúdo da Vertigo, incluindo aí a obra-prima de Gaiman. A Pixel, em suas últimas publicações do gênero, vem demonstrando que pode tratar esta série como ela merece: edições bem feitas e preços amigáveis. Embora não tenha havido ainda algum comunicado oficial da editora, esperemos por esta pequena fábula moderna. Esta é a oportunidade perfeita pra o público em geral conhecer o que são quadrinhos de verdade, e deixar de pensar que a péssima série mensal dos X-men é tudo o que a nona arte tem para oferecer.





1408

19 11 2007

1408... 1409,1410,1411,1412...

Não gosto da maioria dos filmes de terror. Ou me acabo de rir (como em Sexta-Feira 13, por exemplo) ou tenho sono, simplesmente (O Chamado, Exorcista). Exceção feita aos filmes com zumbis. Trauma de ter assistido um filme de Romero quando tinha uns dez anos. Bem, de qualquer maneira, fui assistir 1408, pelo mesmo motivo que assisti Jogos Mortais (um dos poucos de terror que gostei): elenco. Esse tinha Tobin Bell, 14’ tem John Cusack e Samuel L. Jackson.

Cusack é Mike Eslin, um escritor cético que publica livros sobre supostos lugares mal assombrados, até que é convencido a passar uma noite no quarto 1408 do hotel Dolphin, mesmo contra os pedidos expressos do gerente, o senhor Olin (Jackson), que lhe conta a trágica história do aposento (que, entre suicidas e mortos naturais, já colecionava mais de cinqüenta defuntos). A partir daí, se desenvolve uma das melhores histórias de terror dos últimos anos.

Ao contrário da maioria, eu não classifico 1408 como suspense. Ele usa o mesmo para construir uma atmosfera verossímil e sufocante que nos conduz aos momentos de susto. É um filme de terror. Sim, rimos muito entre um susto e outro, mas logo sentimos mais medo ao reparamos que é uma risada nervosa, por termos escapado de um grande perigo. Ou seja, quando menos nos damos conta, estamos dentro da tela, ao lado de Mike Eslin. A atmosfera funciona.

Isso só é possível pela ótima atuação de Cusack. Ele sempre foi um ator completo (na minha opinião, que é o que vale aqui, hehe) apesar de sempre estar interpretando variações do mesmo papel (o cara desajustado). Em filmes como Identidade, O Júri e Quero ser John Malkovich, ele esteve acompanhado de ótimos atores, então ficaria fácil de atestar sua qualidade. A prova de fogo está aqui, onde ele passa 80% do filme contracenando com um quarto amaldiçoado.

Porém, seria um erro não levar em conta as pontas de Jackson e da pequena Jasmine Jéssica Anthony, como filha de Eislin, que, ao contrário da maioria dos astros mirins, não é detestavelmente irritante. Mas é realmente de Cusack a responsabilidade pela atmosfera que foi citada. O espectador se identifica com ele, a princípio cético, e então, deixando-se levar pelo quarto 1408.

A direção, e, às vezes, o roteiro deixam a desejar um pouco, mas quem liga. Um elenco desses trabalha até com roteiristas em greve.





cinema e quadrinhos

19 11 2007

LJA - filme em breve.

A partir de agora teremos posts especiais para quadrinhos e cinema aqui no blog, que devem ser atualizados constantemente (cof… cof… mentira… cof…). E, bem… Aqueles fimes que forem adaptações de quadrinhos vão disputar no cara ou coroa pra saber em que categoria ficam.

Na estréia, um especial sobre o suspense 1408 e outro sobre a série Sandman, escritos originalmente para o Tarja Preta.





Natália Guimarães vai ao estádio conferir Brasil x Uruguai

17 11 2007

perdeu pruma japa sem sal!

Segundo a Folha de São Paulo, a Miss Brasil (e segunda! SEGUNDONA! Miss Mundo) vai assistir o jogo Brasil x Uruguai, pelas eliminatórias da Copa do Mundo, em São Paulo. Também estarão no estádio, segundo o jornal, Marcelo D2, entre 30 outras personalidades em um camarote. Infelizmente a Britney Spears não foi convidada. A Band não está preparada para gastar tanto em bebida.

….

Vem cá, sou apenas eu, ou mais alguém aí tá doido pra saber quem serão os outros 50 mil que estarão no Morumbi?

PS: este é um post sem-vergonha criado exclusivamente para reunir o maior número possível de tags que estão na moda.





Ainda à procura da batida perfeita

17 11 2007

uia!

Novo teste de tamanho de imagens, agora com o selo oficial do blog, o Mad Hatter e uma xícara de chá. Alguém aceita um de maçã?





fazendo o blog

17 11 2007

filha do Dexter!

Bem, blog é algo que precisa estar em constante construção. Quando observo o de alguns amigos meus, como o Tarja Preta, é incrível a evolução que pouco a pouco eles vão tendo, saindo de algo notadamente amador (como esse meu) para algo praticamente profissional.

Meu mais novo passo é escolher uma padronização para as imagens. Estou testando esse formato de imagem pra ver como fica.

 PS: aproveitando pra desejar um feliz Natal antecipado, ho ho ho!





Chaves

16 11 2007

não, não esse chaves!

 Sinceramente, sempre achei o presidente da Venezuela o bufão dos bufões. Ele é o que acontece com o bobo da corte quando acha que pode ser rei. Ou ainda, imaginem se Oscarito e Evita Perón tivessem um filho. Agora imaginem que ele cresceu tomando danoninho e lendo Marx, assistindo desenhos do Dick Vigarista e recebendo visitas do titio Adolf e do vovô Mao.

 Bem, mesmo sendo um palhaço, ele é meio que um perigo à democracia. Mostra o que acontece quando o povo não tem m* nenhuma na cabeça na hora do voto… Ou seja, votar consciente é a melhor saída, e todo esse papo moralizador.

!mama, mira que boina emo!

Recentemente, ele fez três coisas curiosas. Um: imitou o Irã, anunciando um programa nuclear. Dois: continuou a participar de desfiles militares com uma boina emo ridícula. E três: levou o maior passa fora do Rei da Espanha. Dá-lhe véio Juan! O senhor é O FODÃO DA SEMANA!





Existencialismo de esquina

15 11 2007

Paz, amor e uma inequivoca falta de higiene pessoal        

 

         Pretendo que este não seja um blog sentimental. E se John Lennon permitir, ele não será. Espero escrever tantas bobagens que alguém vai ter a decência de me tirar desse mundinho “internético” (essa palavra realmente não existe). Mas, na total falta de assunto para esperança de iluminar mentes com um post de estréia (como dizem, a primeira vez é inesquecível, mas demora horrores pra acontecer, a menos que você tenha o telefone das garotas certas… ou erradas) decidi falar de uma experiência pessoal.

         Não, não seria uma experiência pós-morte, um trauma incrível ou coisas do tipo que se encontram aos montes nesses programas de fim de tarde (conte-me seus problemas e eu ganharei um monte de grana com isso). Está mais pra algo pseudo-filosófico. Só lembrando que eu sou tão ruim de filosofia que, se vivesse na Grécia, morreria de fome. Nem valeria a pena gastar cicuta comigo. E ainda mais filosofia sobre a natureza humana. Tremei Pedro Bial, alguém tão canastrão quanto o senhor chegou na área.

         Eu tenho/tinha a seguinte teoria: vivemos num mundo de nuances cinzas mas gostamos de ver tudo em preto e branco. Traduzindo: todo mundo pode ser sacana ou bonzinho, depende de que lado da cama acordou, mas só conseguimos enxergar uma das coisas, sempre. Ou fulano é tão legal quanto Madre Tereza de Calcutá ou é tão ruim quanto um vilão de desenho animado. E quando apostamos na Madre Tereza e descobrimos que na maioria das vezes a pessoa é um Dick Vigarista da vida, a casa cai. O que sobra pra alguns é se trancar no quarto e escutar músicas emo. Pra outros, é ir pro bar escutar Bruno e Marrone. Se bem que não consigo diferenciar Bruno e Marrone dos emos.

         E é somente isso que nos resta? Quarto ou bar? Ficar longe de todas as pessoas do mundo? Sim, a vida é uma droga, responde o depressivo. Não, a vida é bela, responde o efusivo. Nessas horas eu paro pra pensar, respiro bem fundo e digo, com o peito aberto…

         Foda-se, se tudo mais der errado eu viro hippie.