
Não gosto da maioria dos filmes de terror. Ou me acabo de rir (como em Sexta-Feira 13, por exemplo) ou tenho sono, simplesmente (O Chamado, Exorcista). Exceção feita aos filmes com zumbis. Trauma de ter assistido um filme de Romero quando tinha uns dez anos. Bem, de qualquer maneira, fui assistir 1408, pelo mesmo motivo que assisti Jogos Mortais (um dos poucos de terror que gostei): elenco. Esse tinha Tobin Bell, 14’ tem John Cusack e Samuel L. Jackson.
Cusack é Mike Eslin, um escritor cético que publica livros sobre supostos lugares mal assombrados, até que é convencido a passar uma noite no quarto 1408 do hotel Dolphin, mesmo contra os pedidos expressos do gerente, o senhor Olin (Jackson), que lhe conta a trágica história do aposento (que, entre suicidas e mortos naturais, já colecionava mais de cinqüenta defuntos). A partir daí, se desenvolve uma das melhores histórias de terror dos últimos anos.
Ao contrário da maioria, eu não classifico 1408 como suspense. Ele usa o mesmo para construir uma atmosfera verossímil e sufocante que nos conduz aos momentos de susto. É um filme de terror. Sim, rimos muito entre um susto e outro, mas logo sentimos mais medo ao reparamos que é uma risada nervosa, por termos escapado de um grande perigo. Ou seja, quando menos nos damos conta, estamos dentro da tela, ao lado de Mike Eslin. A atmosfera funciona.
Isso só é possível pela ótima atuação de Cusack. Ele sempre foi um ator completo (na minha opinião, que é o que vale aqui, hehe) apesar de sempre estar interpretando variações do mesmo papel (o cara desajustado). Em filmes como Identidade, O Júri e Quero ser John Malkovich, ele esteve acompanhado de ótimos atores, então ficaria fácil de atestar sua qualidade. A prova de fogo está aqui, onde ele passa 80% do filme contracenando com um quarto amaldiçoado.
Porém, seria um erro não levar em conta as pontas de Jackson e da pequena Jasmine Jéssica Anthony, como filha de Eislin, que, ao contrário da maioria dos astros mirins, não é detestavelmente irritante. Mas é realmente de Cusack a responsabilidade pela atmosfera que foi citada. O espectador se identifica com ele, a princípio cético, e então, deixando-se levar pelo quarto 1408.
A direção, e, às vezes, o roteiro deixam a desejar um pouco, mas quem liga. Um elenco desses trabalha até com roteiristas em greve.